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Mídia Social no Brasil

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Texto por Raquel Recuero | Jornalista, Professora e Pesquisadora. Interessa-se por redes sociais, comunidades virtuais na Internet, conversação e fluxos de informação, capital social no ciberespaço e jornalismo digital | Twitter

 

O Brasil é um país com um largo histórico no uso de ferramentas com função social. No início da década de 90, o IRC (Internet Relay Chat) já era extremamente popular no País. Logo depois, vieram os blogs, os Fotologs e, finalmente, os sites de rede social como o Orkut em 2004, o Twitter em 2008 e, mais recentemente, o Facebook também passam a destacar-se no País. Mas o que possibilita que tantas ferramentas sejam utilizadas, muitas vezes de forma concomitante?


As pessoas possuem diversas redes sociais. No Brasil, o uso das diversas ferramentas e a adopção de novos sistemas passa pelo controlo dos grupos sociais. Ou seja, parte da função dos sites de rede social na apropriação é também auxiliar a manter e controlar esses grupos. A estratégia de vários usuários, assim, é usar esses sites para propósitos diferentes.


Enquanto o Orkut tornou-se o lugar primário de todas as redes e todos os grupos, o Facebook é um espaço onde os usuários procuram ser mais selectivos. O Twitter, por outro lado, é apropriado como uma ferramenta de informação, mais do que conversação.


Enquanto todos estão no Orkut e é possível procurar conhecidos, no Facebook é possível jogar com os amigos mais próximos, conversar e manter a rede mais fechada. No Twitter, há outros tipos de rede, mais focadas em filtros informativos e relevância.



Assim, os valores sociais emergentes em cada ferramenta são diferentes. Enquanto o Orkut funciona como uma "vitrine", onde a performance de identidade é fundamental, o Twitter é um espaço onde o acesso à informação é o mais relevante.


No Facebook, jogar em grupo, ver as notícias dos amigos e manter conexões pela interação é importante.  Sites diferentes, assim, servem a propósitos diferentes para com grupos mais diferentes.


É isso que possibilita que várias dessas ferramentas sejam utilizadas de modo conjunto e que vários Brasileiros tenham perfis em vários desses sites. O grande problema acontece quando os valores dessas ferramentas começam a se sobrepor. Quando isso acontece, uma dessas ferramentas tende a perder espaço para outras.


A coexistência acontece apenas enquanto cada site estiver criando valores diferentes e servindo a propósitos diferentes para os actores sociais.


Por enquanto, esse overlapping ainda não acontece. Enquanto o Orkut continua concentrando a maioria da população e atingindo o valor do social browsing, o Facebook parece oferecer uma oportunidade de iniciar a rede novamente, de forma mais privada e mais concentrada em grupos próximos. O Twitter tem uma apropriação bem diferente desses dois e, portanto, não compete com o mesmo grupo.


Resta saber por quanto tempo essas diferenças permanecerão existentes.
 

 

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