Famosos aderem ao "Digital Life Sacrifice" por uma boa causa
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*Por Luís Spencer Freitas, Web Strategist na The Grand Union | Blog The TrendWatch
É engraçado quando tentamos fazer uma comparação do Mundo de hoje com o de à 5 anos atrás. A verdade é que é impossível revermos os nossos hábitos à luz de um Mundo sem Internet e sem Redes Sociais. Isto torna-se ainda mais interessantes quando observamos que esta mudança não veio só no dia de cada pessoa mas sim da Sociedade como um todo.
Esta introdução vai na direcção de uma análise à recente campanha de sensibilização muito recentemente anunciada para o dia Mundial contra a SIDA, pela fundação Keep a Child Alive. Tendo a Alicia Keys como orientadora, esta acção tem o apoio de várias celebridades como Lady Gaga, Justin Timberlake, Kim Kardashian e Ryan Seacrest. Até aqui parece um typical fundraiser com vários nomes sonantes, dignos de um festival. No entanto, as celebridades vão fazer algo “radical” para chamar à atenção dos seus fãs – vão deixar de fazer tweets e posts no Facebook, matando o seu “eu “ digital.
O “Digital Life Sacrifice” irá ter vídeos das celebridades declarando a morte temporária do seu “eu” digital, declarando o seu testamento e dando ênfase ao seu último post com todo o dramatismo necessário – isto enquanto a associação Keep a Child Alive não fizer 1 milhão de dólares para ajudar crianças infectadas com o vírus da SIDA. Quando atingirem esse valor, as celebridades irão regressar aos seus perfis digitais.
Esta campanha provoca mixed feelings a quem o lê. É lógico que surgiram todo o tipo de reacções a esta campanha – desde os que agradecem o súbito silêncio das celebridades a quem considera a acção original e digna de um novo Mundo dominado pelas redes sociais. Por outro lado, há também aquele sentimento de quem está distanciado do mundo digitalizado que não é uma acção com força digna da seriedade da temática abordada – ou seja, para chamar à atenção das pessoas, as celebridades irão apenas deixar de falar nas redes sociais, como se a importância das suas declarações mundanas fosse tanta que fizesse as pessoas contribuírem com 1 milhão de dólares.
Indiferente das reacções, há sem dúvida uma componente sociológica que deve ser tomada em conta – o facto de haver uma declaração da morte digital e do voto de silêncio digital e a força que esta acção poderá vir ou não a ter. O facto de só surgir no universo de hipóteses de acções para este tipo de campanhas é o suficiente para observarmos a clara evolução das relações e da rotina na Sociedade. A manifestação do Anima/Animus de Jung surge como uma referência invisível a este acto de suicídio, totalmente desprovido de consequências óbvias, mas repletas de uma carga de empenhamento digna de uma greve de fome ou amarrar a uma árvore para defender uma causa.
A verdade é que esta acção está a provocar barulho sem ainda ter começado – se calhar o propósito era exactamente este. Provavelmente a acção em si não terá o mesmo impacto que o tease está a ter, mas que poderá ser exactamente o suficiente para chamar à atenção para a causa. E desperta a consciência para o patamar que o mundo digital e as redes sociais começam a ter. Não que todo o caso Kutcher/CNN não tivesse já dado uma luz para a importância que começavam a ter, mas esta acção faz o link de uma forma muito mais directa e com resultados finais efectivos para além de uma guerra “just for the sake of it”.
Fica agora para futura análise o resultado que a campanha terá e o efeito copy-cat que poderá vir de seguida. Se isto foi o destrancar de mais uma forma de criar engagement com os consumidores através das redes sociais, então falta agora ver como irão as marcas aproveitar esta técnicas para as suas próprias marcas.
