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Errar é Bom

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* Por Manuel Faísco | Online Marketing Director | Parceiros de Comunicação | Blogue


Achei que seria interessante passar para o “papel” algumas ideias que defendo acerca de tudo de bom que o rebentar da Bolha, em Março de 2000, trouxe para a Web e que veio permitir o advento da Web 2.0.

Assim, este Post acaba por ser uma triplo tributo: um tributo ao Erro, à capacidade de aprender com os erros e aos heróis e sobreviventes do desaire de 2000.


Passados 10 anos da segunda-feira negra de 13 de Março de 2000, deixo aqui um exercício de balanço de tudo o que aconteceu, tudo o que se perdeu e sobretudo tudo o que se ganhou:


Antes do rebentar da bolha, proliferavam as “start-ups dot com” que surgiam e desapareciam como cogumelos, assim que eram absorvidas pelas majors ou esgotavam o seu financiamento de venture capital e os proveitos obtidos pela entrada em bolsa. Vivia-se num ambiente especulativo em que bastava utilizar-se o prefixo “E-“ ou juntar”.com” à designação de uma marca para se criar a ilusão de sucesso garantido e lucro rápido. Todavia, os lucros tardavam muito em aparecer e existia muito capital de risco mal parado.


Os investidores estavam cegos de ganância e entregavam quantias avultadíssimas de dinheiro a empreendedores imaturos, muitos com bons projectos mas com graves lacunas em planeamento e nas vertentes administrativa e contabilística. O mercado das “blue chips” estava em êxtase, imperava a filosofia do “GET BIG FAST”, procurando-se fazer fortunas imediatas com a venda de start-ups em estado embrionário e sem modelo de monetização definido.


O frenesim de vendas e aquisições foi um grande Erro. É preciso relembrar que estas manobras especulativas não beneficiavam ninguém a não ser os intervenientes no negócio, o utilizador não era respeitado. O utilizador, que hoje é o centro de toda a actividade online, apenas contava realmente para algumas empresas. Empresas como o Google e a Amazon, que não venderam, mantiveram-se firmes e centradas no utilizador, mesmo não tendo qualquer lucro nos primeiros longos anos de actividade. Foram empresas com este DNA que sobreviveram à crise das dot coms e que hoje em dia são líderes de segmento de mercado indisputáveis. Google e Amazon seguiram a máxima “GET BIG OR GET LOST”, que os impulsionou no investimento a longo prazo das suas infra-estruturas tecnológicas e na procura de fidelização de bases de utilizadores suficientemente vastas.


Dot Coms com fundos gigantescos de capital de risco e lucros obtidos pela entrada na cotação em Bolsa esbanjavam dinheiro desmesuradamente, procurando captar utilizadores fieis mesmo através de Meios offline. Como foi possível que, no intervalo do Super Bowl XXXIV em Janeiro de 2000 tivessem passado 17 spots publicitários de Dot Coms, a 2 milhões USD cada 30’’? Como foi possível as empresas gabarem-se de oferecer benefits luxuosos e stock options aos seus colaboradores, tornando-os milionários instantâneos aquando da entrada em Bolsa? Algo estava podre no reino de Silicon Valley.


Mas nem tudo o vento levou na tempestade de 2000. Foram realizados investimentos gigantescos em infra-estruturas tecnológicas de última geração, que ainda hoje existem e estão lá, mas agora nas mãos dos players da Web2.0 (termo cunhado por Tim O’Reilly especificamente para demarcar a nova Web surgida após o crash e cujos principais adventos foram a Web colaborativa, participativa, Blogs e as Redes Sociais). Assim, do erro de uns pode sair o benefício de todos.


Como referi anteriormente, a Bolha rebentou a 13 de Março de 2000, após ter sido atingido o pico histórico do Nasdaq no dia útil anterior, sexta-feira dia 10 de Março de 2010. Uma combinação de possíveis motivos desencadeou a reacção em cadeia que viria a resultar na terraplanagem da paisagem da Web e na eliminação de cerca de 50% das Dot Coms até 2004.


É o efeito positivo das crises, aquilo que chamo um efeito “peneira”, que deixa ao de cimo o que é bom e deixa cair o que é mau. Esses motivos poderão ter sido:

• A proximidade do veredicto final do julgamento que opôs os EUA à Microsoft, devido à acusação de práticas monopolistas e cujo resultado seria conhecido em Março; A desaceleração brutal após realização do Investimento das empresas receosas do caos electrónico causado pelo Y2K; As sucessivas e coincidentes ordens de venda massivas de acções dos gigantes das Dot Coms (Cisco, IBM, Dell...) na manhã do dia 13 de Março; Os rumores dos maus resultados do E-Commerce após o Natal de 1999, que seriam tornados públicos em Março do ano seguinte.


No ano seguinte, em 2001, a Bolha ferida de morte esvaziava-se a uma velocidade alucinante. Muitas Dot Coms esgotaram completamente o capital e desapareceram, tendo ficado conhecidas por Dot Bombs.

 

O estrago económico deste erro cifrou-se em 5 Triliões USD entre 2000 e 2002. Há inclusive quem afirme que a crise que estamos a viver, causada pelo colapso do sector imobiliário nos EUA tem de facto origens ainda no rebentar da Bolha, quando os investidores e stockholders se viraram em massa para o segundo mercado mais seguro e lucrativo disponível : o mercado imobiliário.


O rebentar da Bolha foi efectivamente a consequência de uma série de erros colossais. Um somatório de erros com dimensões de catástrofe. E ainda bem que o foi. Porquê? Porque foi um reality check colossal, porque separou o mau do bom, porque fez-nos parar e pensar que Web estávamos a construir e que Web realmente precisávamos. Porque criou awareness para a construção de uma Web sustentável e virada para o Utilizador. Porque permitiu a afirmação das empresas com o DNA certo, como o Google que atravessou a crise e se assumiu como líder incontestável da nova Web. Porque credibilizou e fortaleceu os sobreviventes, como o eBay e a Amazon, também eles líderes nos seus segmentos.


Ainda bem que errámos a tempo, porque só do erro nasce o êxito. O erro é o segredo do sucesso. Falhar é bom. Cometer erros ajuda-nos a melhorar a nossa conduta e a sermos bem sucedidos na tentativa seguinte. Errar é a melhor forma de aprender, e aprendemos muitas vezes mais com o feedback de pessoas que nos ajudam apontando os nossos erros do que lendo livros com ideias pré-mastigadas.


É esse o legado dos heróis e sobreviventes de 2000: não ter medo de errar é o segredo do sucesso, manter-se fiel aos seus princípios, proporcionando a melhor experiência possível ao utilizador, com os olhos postos neste e não no lucro imediato. Melhorar o Mundo e merecer uma retribuição justa, ao invés de procurar apenas melhorar os resultados financeiros. Sem aquele grande erro, não estaríamos agora no caminho certo, um caminho sustentado. Tudo indica que sim, mas se estivermos errados ainda bem. Encontraremos certamente uma solução melhor.

 

Por isso, Erre e aprenda com isso. Reserve-se o direito de Errar. Errar é bom.


Referências: Wikipedia.

 

Benedito Godoi

Olá.

Pode até errar no que vai fazer, só não ficar parado esperando a certeza de que vai acertar no que vai fazer. continuar sempre tentando e repartindo conhecimentos e idéias... plantar sempre é o caminho.

Wagner Cipriano

Errar é bom, com certeza, mas continuar no erro é burrice.
Conheço e convivo com pessoa que erra a mais de 3 anos, desde que começou.
Então, errar é bom quando se consegue olhar para trás e usar o feedback para acertar na nova tentativa. Essa é a diferença dos sábios, porque eles também erram.
Abraços a todos!

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