A "armadilha do Twitter" ou a arma da (r)evolução?
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Daniela Espírito Santo | Entusiasta das redes sociais e do jornalismo móvel | Nós na Rede (JN)
Cheguei, via BusinessInsider, a um artigo de Bill Beller, editor do New York Times, em que este fala sobre redes sociais. No texto, o jornalista diz que o Facebook e o Twitter estão a tornar-nos mais estúpidos.
Esta crónica deu, claro está, muito que falar nas redes, com muitos dedos a serem apontados na direcção de Bill Keller. Mas... não terá ele um pouco de razão?
Senão vejamos: as redes sociais, nomeadamente o Twitter, têm servido como excelentes ferramentas jornalísticas, políticas e sociais. Não há dúvida de que as redes servem como óptimos pontos de encontro/criação de ideias e delas nascem amizades, romances, reportagens e revoluções. Mas a que preço?
Bill Keller dá alguns exemplos de inovações que revolucionaram a nossa forma de viver, mas, ao mesmo tempo, nos tornaram seres mais limitados. Fala da invenção da imprensa (que afectou a nossa capacidade de memória, mas permitiu o acesso/armazenamento de mais informação), da chegada da calculadora (tão útil mas que, segundo o jornalista, "matou" a nossa capacidade de fazer contas de cabeça), da utilização do GPS (que nos permite ir do ponto A ao ponto B com maior segurança, mas diminui o nosso sentido de orientação)... e, agora, do Google, que aniquilou a réstia de memória que armazenávamos ("Para quê memorizarmos uma coisa que podemos pesquisar em segundos?") e do Twitter e Youtube, que, diz, estão a dizimar a nossa capacidade de atenção.
Todas estas tecnologias trouxeram uma grande inovação...e um grande custo. Qual será o das redes sociais? Só limitarão a nossa capacidade de concentração ou, como sociais que são, modificarão para sempre (já o fazem) a maneira como nos relacionamos, mas de uma forma profundamente negativa?
Segundo o jornalista, estamos, a pouco e pouco, a "terceirizar" o nosso cérebro para a "cloud" e as tecnologias que inventámos estão a tomar conta de nós. Com a capacidade de ler conversas alheias, participar em debates, organizar grupos temáticos e falar todos os dias com uma pessoa online, o contacto físico, por mais estranho que pareça, às vezes deixa de ser desejado. Por vezes, podemos falar todos os dias com uma pessoa online, sem nos apercebermos que já não a vemos, fisicamente, há semanas. Será isso bom?
"As coisas que podemos estar a desaprender, um twit de cada vez - complexidade, acuidade, paciência, sabedoria, intimidade - são coisas que interessam", entende Bill Keller.
O argumento não é, de todo, novo, mas com os avanços que vemos hoje em dia, é premente voltar a falar do assunto. Estaremos mesmo a tornar-nos ciborgues, arreigados do Mundo pela própria tecnologia que criámos? Ou estaremos apenas a experimentar novos caminhos?
